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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Bala de Prata


Não é preciso ser guru ou mesmo um renomado estatístico para prever, com 99% de certeza, alguma revelação bombástica de última hora, diga-se, horas antes deste 2º turno eleitoral, que venha a difamar o odiado partido, consequentemente, o odiado candidato, ao cargo executivo do município de São Paulo, sem chances de reparo em tempo suficiente. É a famigerada “bala de prata” da nossa querida mídia, que já há um bom tempo, porém de maneira cada vez menos efetiva, tenta fazer a cabeça do espectador.
A famosa manipulação do debate à candidatura presidencial, feita pela rede Globo no processo eleitoral de 1989, bem como o caso do aborto de uma ex-namorada de Lula, são marcas registradas históricas deste expediente covarde, em plena retomada do regime democrático; e de lá pra cá pouco mudou. A última bala de prata mais famosa de que se tem notícia, trata-se da ficha falsa no DOPS, da atual presidenta Dilma Roussef. E deixemos essas menções de lado, pois ocupariam boa parte do nosso tempo, infelizmente.
No entanto, pelas contas, resta o improvável 1%, que estatisticamente refere-se à hipótese contrária. Seria então a possibilidade de que o tiro não saia pela culatra? A grosso modo sim, por outro lado estaríamos desconsiderando toda a atual rajada em constante explosão, um verdadeiro arsenal de dar inveja. Sim, trata-se do circo com cara de Big Brother chamado JULGAMENTO DO MENSALÃO. Não sejamos ingênuos ao ponto de reputar toda essa parafernália a uma mera coincidência de datas, misturada a uma suposta grande reviravolta de senso de justiça nacional.
Continuemos numa grosseira análise e voltemos às probabilidades: as eleições, via de regra, ocorrem de dois em dois anos e duram aproximadamente um mês (1º e 2º turnos, no mês de outubro), portanto temos 1 mês para cada 24, de eleição; probabilisticamente falando, aproximadamente 4,17% de chances para que o julgamento coincidisse em mês de eleição, restrito a períodos de 2 anos. Esse dado nem precisa ser comentado, fala por si mesmo. Quanto ao senso de justiça nacional, as polêmicas jurídicas levantadas com a aplicação da tese do “domínio de fato”, que antes estivesse sendo utilizada como uma tese subsidiária, porém não, é substitutiva a provas, quando não tênues, inexistentes (que de provas, mais parecem se passar por meros indícios); estão dando o que falar. Deve-se convir que a justiça imparcial anda passando longe de nosso “intocável” Supremo. Para tanto, vale conferir este excelente artigo de Guto Camargo (http://contextosocial.jor.br/?p=103).
Não, o autor deste texto não tem certeza absoluta de que tudo isso faça parte de uma grande conspiração dirigida a um partido e, atualmente, mais especificamente, a um candidato. Porém, perante tantas coincidências, inovações jurídicas inusitadas, alarde midiático e, conhecendo um mínimo da história do nosso país, a probabilidade de tal tese configura-se plausibilíssima. Uma probabilidade que infelizmente acaba sendo escamoteada pelas luzes e maquiagens de uma mídia que sabe vender muito bem seu peixe. Sabe dizer, des-dizer e voltar a dizer, sem se comprometer. E sabe que é poderosa suficiente para isso.
Mas enfim, o que você acha? Esse tiro sai ou não sai da culatra até o domingão de eleição? (autor: Walter H. Diesel)

domingo, 21 de outubro de 2012

Salve-se Quem Puder


Um dos maiores redutos do liberalismo e conservadorismo político/econômico nacional, a cidade de São Paulo, encontra-se sob ameaça progressista. Pior, trabalhista. Pior ainda, pseudo-progressista, pseudo-trabalhista. Os setores retrógrados estão em pânico. A burguesia e a classe média ruminam e regurgitam chavões já automáticos e gastados no tempo. Críticas vazias e preconceituosas como “os pobres vão votar no bolsa-família”, são mote comum entre essas mentes limitadas.
O grande conglomerado midiático parece não se conformar. Ao que tudo indica armaram uma verdadeira agenda golpista e difamatória, misturando julgamento penal de corrupção, com condenação política. E é de assustar como tem coincidido a data do julgamento com as eleições municipais. Aliás, micro-coincidências, além de também assustadoras, soam sugestivas demais, como por exemplo, as prévias condenações de dirigentes petistas logo antes do primeiro turno eleitoral e a agilização do término deste julgamento penal, logo antes do segundo turno eleitoral; pois nosso querido excelentíssimo relator justiceiro tem uma consulta agendada na Alemanha e terá que se ausentar. Pois bem, mesmo assim, parece que reunindo mundos e fundos, gastando influências e fazendo o diabo, não conseguiram frear o avanço do pseudo-progressismo trabalhista.
Sem muito esforço, pode-se elencar diversos outros suspeitos subterfúgios midiáticos e, por assim dizer, manipulatórios ou tendenciosos, como as pesquisas largamente viesadas do Datafolha e do Ibope, as acusações sem provas estampadas no revistão VEJA, os elogios rasgados ao tucanato (representantes por excelência da elite conservadora) nesses mesmos meios midiáticos... E por aí vai.
Mas enfim, a pergunta paira no ar: porque tanto ranço contra um partido que hoje nada mais representa o que deveria representar aquele outro que leva o nome, social democrático? Não é revolucionário, quando muito, reformista. Não se propõe socialista e/ou comunista, não fere a democracia, mesmo essa meramente ilustrativa e representativa, como bem quer nossa querida elite aristocrática. Respeita todas as diretrizes econômicas de metas de inflação, controle de gastos públicos, superávit primário entre outras sandices diabólicas. Oras, porque então? Deve existir apenas uma resposta para essa pergunta: é ranço contra uma massa “fedorenta”. É ranço puramente preconceituoso. É de fato a ojeriza de viajar de avião com a empregada doméstica ao lado. É o susto de encontrar o lixeiro fazendo compras na mesma loja cara, daquele mesmo shopping diferenciado, antes “bem frequentado”. É a inaceitável união de suas filhas com pés-rapados emergentes. Pois então surge outra pergunta: quem realmente fede? Deixo a resposta com Cazuza. (autor: Walter H. Diesel)